«Ó alma cega! Arma-te com o facho dos Mistérios e descobrirás na noite terrena o teu Duplo luminoso, a tua Alma celeste. Segue esse guia Divino e que ele seja o teu Génio; Porque ele contém a chave das tuas existências passadas e futuras.»
Apelo aos Iniciados
in Livro dos Mortos
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domingo, 6 de maio de 2012
domingo, 4 de dezembro de 2011
«19.
Existe uma magia do Intervalo.
Existe uma teurgia do Intervalo.
Existe uma alquimia do Intervalo.
As três baseiam-se numa Geometria do Intervalo, numa Geometria Sábia. O corpo de glória é um Intervalo de tal densidade que a luz emana da obscuridade. O Intervalo é negror luminoso.»
Rémi Boyer
in Pedaços de Incoerismo - "Poeiras da Absurdidade Sagrada - Livro Solar"
Existe uma magia do Intervalo.
Existe uma teurgia do Intervalo.
Existe uma alquimia do Intervalo.
As três baseiam-se numa Geometria do Intervalo, numa Geometria Sábia. O corpo de glória é um Intervalo de tal densidade que a luz emana da obscuridade. O Intervalo é negror luminoso.»
Rémi Boyer
in Pedaços de Incoerismo - "Poeiras da Absurdidade Sagrada - Livro Solar"
«Todos os símbolos e ritos dirigem-se, não à inteligência discursiva e racional, mas à inteligência analógica.
... ainda que se quisesse revelar claramente o oculto, se não poderia revelar, por não haver para ele palavras com que se diga.
O símbolo é naturalmente a linguagem das verdades superiores à nossa inteligência...
O oculto é o interno, a outra face das coisas. O oculto significa o que não é presente, o que não é actual... o que já passou, o que virá a ser e também o que é mas nós não conhecemos.
Primeiro devemos sentir os símbolos, sentir que os símbolos têm vida ou alma - que os símbolos são gente. Mais tarde virá a interpretação mas sem esse sentimento a interpretação não vem. Os rituais, entre outros fins, têm o de fazer sentir ao iniciado pela solenidade e o deslumbramento a vida dos símbolos que lhe comunicam. Quem tenha em si o poder de sentir pronta e instintivamente a vida dos símbolos não precisa de iniciação ritual.»
Fernando Pessoa
... ainda que se quisesse revelar claramente o oculto, se não poderia revelar, por não haver para ele palavras com que se diga.
O símbolo é naturalmente a linguagem das verdades superiores à nossa inteligência...
O oculto é o interno, a outra face das coisas. O oculto significa o que não é presente, o que não é actual... o que já passou, o que virá a ser e também o que é mas nós não conhecemos.
Primeiro devemos sentir os símbolos, sentir que os símbolos têm vida ou alma - que os símbolos são gente. Mais tarde virá a interpretação mas sem esse sentimento a interpretação não vem. Os rituais, entre outros fins, têm o de fazer sentir ao iniciado pela solenidade e o deslumbramento a vida dos símbolos que lhe comunicam. Quem tenha em si o poder de sentir pronta e instintivamente a vida dos símbolos não precisa de iniciação ritual.»
Fernando Pessoa
«O caminho para o mistério não se faz pelo conhecimento ou pela pureza da vida, mas sim pela iniciação. Não é fácil encontrá-lo, bem como encontrar o ponto de entrada, a energia para lá se manter, ou a atitude para permanecer na vida. No entanto, uma vez que se dê o passo inicial com coragem e abandono, o resto, embora seja de certo modo árduo, acaba por se tornar mais fácil.»
Thomas Moore
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
«Vim a ti, Amon-Ra. Eu sou Thot, que se aproxima da época dupla para procurar o Olho Sagrado para o seu Mestre. Vim, encontrei o Olho Sagrado, e contei ao seu Mestre Hórus.
Vem a mim, Amon-Ra, para que me guies sobre este caminho onde cruzas, que eu aí penetre em forma de Olho-Ba (...)
Vi o deus! Vim a ele (...). Entro na estátua de Maat para que Amon-Ra, Senhor de Karnak [Tebas], se una à sua bela Maat neste dia.»
Capítulo de entrada para o templo do ritual de Mut a Abydos
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
«No cenário dos ritos iniciáticos a "morte" corresponde ao retorno provisório ao "Caos"; é a expressão exemplar do fim de um modo de ser: a ignorância e a irresponsabilidade infantil. A morte iniciática torna possível a tábua rasa sobre a qual virão inscrever-se as revelações sucessivas destinadas a formar um homem novo (...). As imagens e símbolos da morte ritual são solidários com a germinação, com a embriologia: indicam já que uma nova etapa da vida está a ser preparada.»
Mircea Eliade
Mircea Eliade
O importante é que elas [iniciações] proclamam a intenção e reivindicam o poder de transmutar a existência humana. A nostalgia de uma renovação iniciática que surge esporadicamente das profundidades do homem moderno arreligioso, parece-nos altamente significativa: seria, em resumo, a expressão moderna da eterna nostalgia do homem em dar sentido positivo à morte, em aceitar a morte como um rito de passagem a um modo superior de ser. Com efeito, só a iniciação confere à morte uma função positiva: a de nos preparar para uma "nova luz", puramente espiritual, para o acesso a um modo de ser subtraído à acção devastadora do Tempo.»
Mircea Eliade
Mircea Eliade
terça-feira, 20 de setembro de 2011
sábado, 16 de julho de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Iniciação Maçónica - Fernando Pessoa
«No primeiro grau desta verdadeira iniciação, o candidato tem a tarefa de matar (em si) os três assassinos do Mestre, os três elementos que se opõem nele à lei da Natureza – o desejo do supérfluo, a crença na inteligência, a impulsão de dominar (a vontade de poder de Nietzche), ou numa linguagem mais simples, a ambição, o orgulho e a vaidade. Isto, de resto, é-lhe já indicado obscuramente no próprio começo da sua vida iniciática, quando é despojado dos metais. Tecnicamente é despojado do ferro, da prata (que é a moeda de compra) e do ouro (que é a moeda que encanta) – metais regidos, respectivamente, por Marte, Lua e Sol, e significativos da ambição, da vaidade e do orgulho. Quando os três assassinos são mortos na alma do aspirante, ele fica pronto para avançar no segundo grau desta ascensão para Deus. A tarefa do candidato é encontrar a Palavra.»
domingo, 20 de março de 2011
O ELOGIO DO INCOERENTISMO - Remi Boyer
A Iniciação é incoerentismo, ciência das incoerências. Enquanto que ao querermos dar coerência ao mundo, nós o complexificamos pelo conceito, ao reconhecermos a incoerência, ou a não-coerência do mundo,nós simplificamo-lo. Ora, a Iniciação é Simplificação, pois a percepção pura unifica, enquanto que o conceito multiplica e separa.
Em toda a conquista do Ser, existe um caminho pedagógico, evolutivo, religioso (que religa), periférico, e o caminho iniciático, ascético, por ruptura, uma devolução que provoca a experiência directa do Absoluto.
A entidade que nasce da ascese está necessariamente separada do mundo, o mundo consome-se na experiência do real, pois a incondicionalidade do esforço (e não o próprio esforço) faz reconhecer o mundo por aquilo que ele é, reflexo, sonho enebriado. Mas esta entidade, nascida da ascese, separada da persona, permanece separada do Ser até à dissolução do corpo físico. Ela é, de alguma maneira, a última máscara, o último reflexo, o reflexo mais puro, mas sempre um reflexo, reflexo suficientemente puro contudo para autorizar a experiência da imortalidade nesta vida, neste corpo.
A Tradição faz por vezes referência à inversão dos candelabros (por exemplo em Gustav Meyrink que foi Grão Mestre dos Irmãos Iniciados da Ásia), imagem simbólica próxima da do Enforcado do Tarot. Há duas inversões dos candelabros. Falando literariamente, eu poderei dizer que a primeira, a inversão (ou rotação) lateral corresponde aos mistérios menores, e que a segunda, a inversão (ou rotação) vertical corresponde aos mistérios maiores. A primeira inversão permite rodar para o mundo paradoxal e apreender o jogo ou a relatividade do mundo fenomenal. A segunda inversão dos candelabros constitui a apreensão do Real pelo adepto, ao mesmo tempo que a apreensão do adepto pelo Real.
É buscando a incoerência da coerência que a primeira inversão dos candelabros se pode produzir, é percebendo a coerência magnífica e divina da incoerência que a segunda inversão dos candelabros se manifesta.
Em toda a conquista do Ser, existe um caminho pedagógico, evolutivo, religioso (que religa), periférico, e o caminho iniciático, ascético, por ruptura, uma devolução que provoca a experiência directa do Absoluto.
A entidade que nasce da ascese está necessariamente separada do mundo, o mundo consome-se na experiência do real, pois a incondicionalidade do esforço (e não o próprio esforço) faz reconhecer o mundo por aquilo que ele é, reflexo, sonho enebriado. Mas esta entidade, nascida da ascese, separada da persona, permanece separada do Ser até à dissolução do corpo físico. Ela é, de alguma maneira, a última máscara, o último reflexo, o reflexo mais puro, mas sempre um reflexo, reflexo suficientemente puro contudo para autorizar a experiência da imortalidade nesta vida, neste corpo.
A Tradição faz por vezes referência à inversão dos candelabros (por exemplo em Gustav Meyrink que foi Grão Mestre dos Irmãos Iniciados da Ásia), imagem simbólica próxima da do Enforcado do Tarot. Há duas inversões dos candelabros. Falando literariamente, eu poderei dizer que a primeira, a inversão (ou rotação) lateral corresponde aos mistérios menores, e que a segunda, a inversão (ou rotação) vertical corresponde aos mistérios maiores. A primeira inversão permite rodar para o mundo paradoxal e apreender o jogo ou a relatividade do mundo fenomenal. A segunda inversão dos candelabros constitui a apreensão do Real pelo adepto, ao mesmo tempo que a apreensão do adepto pelo Real.
É buscando a incoerência da coerência que a primeira inversão dos candelabros se pode produzir, é percebendo a coerência magnífica e divina da incoerência que a segunda inversão dos candelabros se manifesta.
Trecho do livro: “ O louco de Shakti, imortalidade, par e alquimia, Lisboa, Hugim, 1998, págs 17 e 18 (edição bilíngüe)” de Remi Boyer
sexta-feira, 4 de março de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Helena Petrovna Blavatsky
"Está bem, Ouvinte. Prepara-te, pois terás que viajar sozinho. O Instrutor pode apenas indicar o caminho. A Senda é uma para todos,; os meios para chegar à meta variam com os peregrinos."
Helena Petrovna Blavatsky
in "Voz do Silêncio"
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
"(...) a iniciação pessoal alquímica é uma viagem de várias etapas, comportando, cada uma, vários patamares. Não é uma iniciação simbólica como a maior parte das que são dadas por diversas organizações. A iniciação alquímica modifica o nível de consciência e abre o domínio do Conhecimento da Natureza. Esse domínio não é o do conhecimento volátil e provisório da ciência, mas o do conhecimento fixo de diversos mundos. Para essa viagem, é necessário ter um plano. Existem vários, mas, no Ocidente, o melhor que temos à nossa disposição é, sem dúvida, a Cabala, a tradição ocidental utilizada pelos Filósofos Alquimistas do passado, que conheciam a filosofia da Natureza."
Les Philosophes de la Nature
sábado, 22 de janeiro de 2011
Iniciação - Fernando Pessoa
INICIAÇÃO
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
......
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
......
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não estás morto, entre ciprestes.
......
Neófito, não há morte.
Fernando Pessoa
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
......
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
......
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não estás morto, entre ciprestes.
......
Neófito, não há morte.
Fernando Pessoa
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
"O Labirinto de Chartres: Espelho do Caminho" - Dazur
O Labirinto de Chartres: Espelho do Caminho
Tradução por Ana Rita Borges |
Assim que se entra na catedral de Chartes, bastam alguns passos para se achar frente ao labirinto. Ele está lá, como um desafio a reanimar. À volta, os seus espinhos velam no silêncio da pedra. A rosa no seu centro será o troféu daquele que souber chegar até ela. | |||||
Os nossos primeiros passos, após um pequeno desvio, conduzem-nos rapidamente até muito perto da rosa. Somos encorajados por esta promessa de sucesso... | |||||
...mas eis que o caminho se afasta e prossegue como as circunvoluções do nosso cérebro. E andamos sobre o lado esquerdo. Hemisfério esquerdo do cérebro: o intelecto. Aquele que calcula, que conta, que raciocina. O caminho atrai-nos. Prosseguimos. | |||||
Passamos para a direita e, outra vez, muito rapidamente, aproximamo-nos do centro para daí nos afastarmos. | |||||
Hemisfério direito do cérebro: as primeiras experiências psíquicas marcantes, as impressões subjectivas; tomamos consciência de um mundo diferente. Mas logo queremos analisar e regressamos ao hemisfério esquerdo do cérebro. | |||||
Procuramos conhecimentos e tentamos fazer a viagem intelectualmente. Depressa inúmeros conceitos, até então desconhecidos, tornam-se familiares. Alguns, não vendo o que mais poderiam aprender, não irão mais longe. E passarão o resto da sua existência a fazer discursos e a explicar a vida aos outros. Estagnação. | |||||
Outros atravessarão esta ponte, a conexão entre os dois hemisférios, que é a mais próxima do Oriente. E eles entrarão neste mundo ignorado do intelecto, onde não se pode permanecer senão depois de o ter satisfeito e controlado, fazendo dele uma ferramenta e não mais um obstáculo. Neste mundo novo é então necessário viver e ousar a experiência e vivê-la plenamente. Aqui, o discurso não tem lugar. A hora é de acção: acção-serviço para com a humanidade, assim como, acção-caminhar activa em direcção ao centro do Ser. | |||||
Mas o caminho eterniza-se e a rosa é sempre questão... e é uma dupla circunvolução tão longa e tão distante do centro que tudo se torna desencorajamento, não mais intelectual, mas interior, até mesmo físico: a noite obscura do iniciado, onde o vivido perde o seu sentido para além da ideia que se pode fazer dele. | |||||
Alguns, ainda, permanecerão lá: decepcionados, cansados, prostrados. Outros extrairão de uma fé sem objecto a coragem de prosseguir. E, reencontrando o eixo de partida, viverão novamente a dúvida num último desvio, como se fosse demasiado simples avançar para o coração. Porque é bem no coração que penetraremos então, na rosa na qual, finalmente, respiraremos o perfume. | |||||
Orgulhosos por termos percorrido este longo périplo e por nele termos ultrapassado com sucesso todas as provações, acreditamos ter chegado, ao passo que, por esta análise simples, criamos de todas as peças, os mais subtis e os mais perigosos dos obstáculos do caminho. Acreditando ter conquistado a rosa, estamos na realidade enclausurados no centro da nossa Satisfação, por termos controlado os nossos dois hemisférios e por termos avançado, com coragem, até ao fim do caminho. | |||||
Se nos deixarmos ficar, viveremos cativos na ilusão de sermos livres. O nosso orgulho terá, então, todo o tempo para se exprimir. É preciso sair e continuar, porque o coração do santuário não é aqui. Mas será necessário refazer todo este caminho e abandonar o labirinto pelo Oeste, em direcção ao pôr do Sol? Como uma derrota com o gosto amargo do esforço inútil? Antes de tornar a partir, desfrutamos ainda deste local e é ajoelhados que oramos o resto da noite, para que a luz apareça de novo por entre as nossas trevas. Então, se o nosso coração é puro nesta demanda, com os primeiros raios do Sol nascente, a Luz surge finalmente. | |||||
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Livres, desta vez, nós o somos, e avançamos banhados de Luz até ao encontro do Coração verdadeiro, no seio do qual, finalmente, compreendemos plenamente estas palavras: Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini Tuo da Gloriam. "Não por nós, Senhor, não por nós, mas pela Glória do Teu Nome.” Divisa dos Cavaleiros da Ordem do Templo O desenho da catedral no cimo desta página foi retirado da excelente obra de Michel Neillo “La symphonie symbolique ou les merveilles de la Cathédrale de Chartres" - 1989 - Ed. du Chariot Poderá consultar este artigo no original em francês em:
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sábado, 8 de janeiro de 2011
Iniciação Martinista
"Irmão, irei lhe transmitir a I. de acordo com o nosso V.M. Louis-Claude de Saint-Martin, tal como eu a recebi de meu iniciador, tal como ele próprio a recebeu, e assim por diante até Louis-Claude de Saint-Martin em pessoa, por mais de cento e cinquenta anos....(...)
(...)
"Recebei, ó Senhor, sob os votos do Filósofo Desconhecido, nosso V.M., a homenagem que Teus servos aqui presentes Te prestam! Que esta Luz misteriosa ilumine nossos espíritos e nossos corações, como ela resplandeceu nas obras dos nossos mestres do passado. (...)
(...)
Então, um dos assistentes finalmente coloca a Máscara enblemática, símbolo do Silêncio e do Segredo sobre a face do Iniciando. Um outro o revestiu com o Manto Sagrado, símbolo da Prudência. E um terceiro o cingiu com o Cordão, recordando a "cadeia da Fraternidade".
(...)
Possai vós, meu irmão, justificar as palavras do Zohar: Aqueles que possuíram o Divino Conhecimento brilharão com o esplendor dos Céus...Mas aqueles que o ensinaram aos Homens, sob os Votos da Justiça, brilharão como as Estrelas por toda a Eternidade!"....
O Iniciador e o Iniciado voltam-se para o círio solitário, para a chama imovedoura a qual velam as Almas dos "Mestres do Passado":
"Irmãos, eu vos apresento N..., Superior Incógnito de nossa Ordem e rogo-vos de aceitá-lo entre nós"....
Uma extraordinário angústia envolve o coração de todos os assistentes. No Oratório, onde o fumo do Incenso resseca as gargantas, dançam, dançam, não são os vivos que parecem ser os mais reais. E sob os grandes mantos, as máscaras, as faixas de seda branca, atrás da luminescência dos gládios, poderiam crer que somente os mortos seriam vistos...Muito pelo contrário, os mais vivos, são os Mortos da Ordem, os "Mestres do Passado", todos ao redor!
À chamada da Palavra, todos estão presentes. Apesar dos séculos, eles estão lá, fiéis ao encontro mágico: Henri Kunearth, o autor do Anfiteatro da Sabedoria Eterna... Séthou, o prestigiado "Cosmopolita", morto pelos instrumentos de tortura do Eleitor da Bavária...Cornelius Agrippa, médico e alquimista de Carlos V, morto por causa da miséria e da fome... Christian Rosenkreutz, peregrino da Sabedoria... Jacob Boehme, o sapateiro iluminado... Robert Fludd, homem de maravilhosa inteligência, morto em uma masmorra inquisitória... Francis Bacon, suspeito de haver sido o grande Shakespeare... Martinez de Pasqually, o "Mestre" que ousou evocar os anjos... Louis Claude de Saint-Martin, o porta-voz do "Filósofo Desconhecido"... Jean-Baptiste Willermoz, depositário fiel de seu mestre Martinez... e todos os outros cujos nomes escapam, e que, oficiais, grandes nobres, ou pobres camponeses, sob o grande manto negro do peregrino sob o topete empoeirado, levaram aos quatro cantos da velha Europa durante esse libertador século XVIII que finalmente se realiza o "grande desejo" dos Rosa+Cruzes, o misterioso eco da "Palavra Perdida"...
E, dominando todas estas sombras, eis que um outro se ergue, fazendo-se passar pelo Oratório, como um grande sopro vindo das regiões onde paira o Espírito, a própria Alma de todas as Fraternidades! Eis que, misteriosa, mas inspiradora, inumana, mas divina, incognoscível, mas iluminadora, eis que passa a sombra de..."
"O Martinismo - História e Doutrina"
Robert Ambelain, Paris, 1946
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Reflexões Iniciáticas - Robert Amadou
A Iniciação se define como a passagem a uma outra-maneira de ver, de viver e de agir; a entrada em um outro-lugar real – real, mesmo, por excelência. Desta realidade, da eficácia da Iniciação, a Humanidade é testemunha desde suas origens.
Hoje todos concordamos sobre o fenómeno da Iniciação: trata-se de um conjunto de ritos e ensinamentos, um conjunto de símbolos que provoca uma modificação radical na posição religiosa e social do indivíduo. Trata-se de uma ‘mudança ontológica no regime existencial’. O Iniciado é um outro... Um convite a ser verdadeiramente eu... O Iniciado sabe que a verdadeira vida é do outro lado. Ele não foge, nem para frente, nem para trás. Ele se aprofunda.
O cenário da Iniciação é quase constante: as provas, uma morte, uma ressurreição. Ou ainda um novo nascimento.
O Iniciado é um outro. Ele passou da ignorância ao saber, à ciência. Mas, qual ciência? Qual saber? Primeiro, ele sabe que abandonou a ignorância. Diz-se que passou da natureza à cultura. Que seja. Mas foi para ser e para compreender a natureza e compreender que a compreende. Para penetrar em seu interior paralelamente à entrada em si-mesmo. No esoterismo de-si e no do mundo. Na raiz comum. A Iniciação é descoberta do sentido profundo, de um outro valor que não o sensível, de verdadeiro valor do sensível. É uma revelação sobre o sagrado, sobre a morte, sobre a sexualidade; sobre o mundo e sobre mim; sobre a sociedade; sobre minhas relações com os outros e com a natureza que é simplesmente um outro...
Robert Amadou
quinta-feira, 29 de julho de 2010
A Tradição Maçónica e o Despertar da Consciência de Rémi Boyer
A Tradição Maçónica e o Despertar da Consciência
Rémi Boyer
Arcano Zero, 2009
"Este livro propõe uma metodologia para pôr em prática a função pré-iniciática, metodologia dirigida, quer aos candidatos à Iniciação, quer aos quadros das sociedades e Ordens que querem "transmitir" a Iniciação, ainda que, como veremos mais à frente, no domínio da Iniciação, a ideia de transmissão esteja errada.
Por fim, avisamos o leitor de que tudo o que aqui é enunciado é totalmente falso, ou, mais exactamente, como em qualquer enunciado teórico, nem é verdadeiro, nem é falso, mas nasceu da experimentação em várias lojas maçónicas e paramaçónicas na Europa, África e América.
Tudo o que aqui é apresentado nestas páginas poderá ser útil ao buscador realmente empenhado." (pág.38)
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