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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Encoberto

"O Encoberto" por Lima de Freitas


D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL


Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

Fernando Pessoa 
in "Mensagem"

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011



«Suspenso na Árvore assolada pelo vento,
Durante nove dias e nove noites fiquei.
Trespassado por uma lança, uma oferenda para Odin,
Eu mesmo me sacrificando e oferecendo-me a mim.
Amarrado e suspenso estive naquela Árvore,
Cujas raízes têm uma origem desconhecida aos homens.
Ninguém me deu pão para comer,
Ninguém me deu algo para beber.
Ao espreitar as profundezas abaixo de mim,
Agarrei avidamente as runas,
E apossei-me delas, dando um grito feroz.
Depois caí da Árvore, perdendo os sentidos.
(...)
Bem-estar eu alcancei com as runas, Sabedoria também.
Amadureci e alegrei-me com o meu crescimento.
Cada palavra conduziu-me a novas palavras,
Cada acto proporcionou-me novos actos e escolhas.»

Havamal - Eddas

domingo, 25 de dezembro de 2011



«O Sol fica escuro, a Terra afunda no mar.
As estrelas desaparecem da abóbada celeste,
O vento e o fogo entrelaçam-se enraivecidos,
Até que as chamas gigantescas alcancem o céu.»

Voluspa - Eddas


«O homem esqueceu-se de que todos os deuses ainda moram no seu coração.»

William Blake
«Conheço um freixo chamado Yggdrasil,
Uma árvore imensa no meio da névoa branca.
Dela escorre o orvalho que cai nos vales.
Firme, mantém-se sempre verde,
Acima da sagrada fonte de Urdh.»

Voluspa - Eddas
«No início dos tempos, o grande caos rugia.
Não havia mar, nem água, nem areia,
Nenhuma terra abaixo, nenhum céu acima,
Somente um vão profundo, em que nada existia.»


Eddas
(Poema épico Islandês)

domingo, 4 de dezembro de 2011

«13.
A Iniciação, caminho de Despertar, opõe-se à noção de ordem formal. Destrói a identificação com todos os formalismos. Opõe-se igualmente à noção de desordem, que é apenas ausência de uma ordem conhecida, esperada, desejada. A Iniciação é a-ordem, não-ordem, acessível no intervalo que antecede a zona de conceito.»

Rémi Boyer
in Pedaços de Incoerismo - "Poeiras da Absurdidade Sagrada - Livro Solar"

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

«Não durmas,
senta com teus pares

A escuridão oculta a água da vida.
Não te apresses, vasculha o escuro.
Os viajantes nocturnos estão plenos de luz;
não te afastes pois da companhia de teus pares.»

Rumî

terça-feira, 15 de novembro de 2011



«Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflecte, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.

A viagem conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.»

Rumî

sexta-feira, 14 de outubro de 2011



«Então chega este deus
cheio de prestígio,
Amon, Mestre dos Tronos dos
dois Países;
Depois de ter tomado a
forma do Soberano,
encontrou a rainha adormecida,
no seu Palácio magnífico,
O perfume do deus despertou-a
e ela sorriu a Sua Majestade;
Sem demora, aproximou-se dela
e deu-lhe o seu coração.
Ela pôde vê-lo, na sua estatura
divina,
Quando veio a ela.
E ela ficou feliz por contemplar o seu resplendor.
O amor apoderou-se do seu corpo,
Enquanto o Palácio era
inundado por odores do deus
Perfumes vindos do país do Punt.»

Inscrição encontrada no templo de Luxor (Tebas)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

"Nascer é pôr a máscara. A criatura não desce ao mundo, sem vestir primeiro o seu hábito."

Teixeira de Pascoaes
"Falar dum morto é (...) ressuscitá-lo. A Palavra tem poderes mágicos e demoníacos; o som que ela deixa no ar e a forma que ela imprime no papel, são da mesma matéria da bengala de Mefistófeles e da lira de Orfeu."

Teixeira de Pascoaes

segunda-feira, 27 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Tenho Mais Almas que Uma

Vivem em nós inúmeros; 
Se penso ou sinto, ignoro 
Quem é que pensa ou sente. 
Sou somente o lugar 
Onde se sente ou pensa. 

Tenho mais almas que uma. 
Há mais eus do que eu mesmo. 
Existo todavia 
Indiferente a todos. 
Faço-os calar: eu falo. 

Os impulsos cruzados 
Do que sinto ou não sinto 
Disputam em quem sou. 
Ignoro-os. Nada ditam 
A quem me sei: eu 'screvo. 

Ricardo Reis

in "Odes"

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Hermes - Hino Órfico



HERMES, aproxime-se e ouça minha prece com bondade,
Arauto de Zeus e Maia, de divina procedência
Conhecedor de competições, regente da humanidade,
Em seu coração só poder, e na mente prudência.
Mensageiro Celestial, de habilidades variadas,
Cujas artes mataram a Argus, aquele que é sempre alerta,
Através do ar caminha, com suas sandálias aladas,
Oh, amigo dos homens, e do discurso, o grande profeta
Aquele que apóia a vida, a ti a alegria pertence
assim como as artes, a ginástica e a fraude divina
Que com o poder da linguagem o homem convence
Que é fonte de todo lucro e protege os amantes da jogatina
Cuja mão segura seu brilhante cajado
abençoado deus de providência e abundância
De várias línguas, cujo auxílio é sempre encontrado
Que diante das necessidades mostra sua benevolência
Que os homens reverenciam, aquele que torna a palavra uma arma
Esteja presente, Hermes, e escute a meu chamado
Ajude minha obra, e conclua minha vida com paz de alma
um espírito dotado de memória e de palavras escolhidas.





Hino Órfico a Hermes

quinta-feira, 5 de maio de 2011


«Esta ardente prece do fundo do meu peito:
Protegei sempre o meu pequeno e gracioso jardim, afastai
De mim qualquer mal, e quando Amor me estender a mão
E eu confiar no velhaco, oh dai-me então
Sem preocupação nem receio e sem perigo o prazer.»

Goethe