segunda-feira, 4 de julho de 2011


«Que é a beleza senão a impressão do espírito sobre a matéria? Tem o corpo da Vénus de Milo necessidade de ser carne para encantar os nossos olhos e exaltar o nosso pensamento? A beleza da mulher é o hino da maternidade; a forma agradável e delicada do seu seio nos lembra continuamente a primeira sede dos nossos lábios; quereríamos poder retribuir-lhe em eternos beijos o que nos deu em suaves efusões. Será, então, pela carne que estamos apaixonados?»

Eliphas Levi
in "Grande Arcano"

"O Poder que Cria e Transforma" - Eliphas Levi

«A vontade é essencialmente realizadora, e podemos tudo o que cremos razoavelmente poder.
Na sua esfera de acção, o homem dispõe da omnipotência de Deus; pode criar e transformar.
Este poder deve exercê-lo primeiramente sobre si mesmo. Quando vem ao mundo, suas faculdades são um caos, as trevas da inteligência cobrem o abismo do seu coração, e seu espírito é balanceado sobre a incerteza como se fosse levado sobre as ondas.
A razão então lhe é dada, porém esta razão ainda é passiva, pertencendo a ele torná-la activa; pertence a ele irradiar sua fronte no meio das ondas e exclamar: FIAT LUX!
Torna-se uma razão; torna-se uma consciência; faz-se coração. A lei divina será para ele tal como ele a tiver feito e a natureza inteira para ele se tornará o que quiser.
A eternidade entrará e permanecerá na sua memória. Dirá ao espírito: sê matéria, e à matéria: sê espírito, e o espírito e a matéria lhe obedecerão!
Toda substância se modifica pela acção, toda acção é dirigida pelo espírito, todo espírito se dirige conforme uma vontade e toda vontade é determinada por uma razão.
A realidade das coisas está na sua razão de ser. Esta razão das coisas é o princípio do que é.
[...]
A matéria é auxiliar do espírito; sem o espírito, ela não teria razão de ser e não existiria.
A matéria transforma-se em espírito por intermédio dos nossos sentidos, e esta transformação, sensível somente para as almas, é o que chamamos prazer.
O prazer é o sentimento de uma acção divina. Alimentar-se é criar a vida e transformar, do modo mais maravilhoso, as substâncias mortas em substâncias vivas.
[...]
Só existe verdadeiro prazer, verdadeira beleza, verdadeiro amor, para os sábios, que são verdadeiramente criadores da sua própria felicidade. Eles se abstêm para aprender a bem usar, e quando se privam é para adquirir uma felicidade.
[...]
O orgulho provoca o desprezo, a modéstia atrai o louvor, a libertinagem mata o prazer, a temperança purifica e renova os gozos.
[...]
Quereis atrair, fazei o vácuo. Isto se realiza em virtude de uma lei física análoga a uma lei moral. As águas são filhas das nuvens e dos montes e procuram sempre os vales. Os verdadeiros gozos vêm de cima, já o dissemos: é o desejo que os atrai e o desejo é um abismo.
O nada atrai o todo e é por isso que os entes mais indignos de amor são, às vezes, os mais amados. A plenitude procura o vácuo e o vácuo suga a plenitude. [...]»


Eliphas Levi
in "Grande Arcano"

domingo, 3 de julho de 2011

"Equilíbrio" - Eliphas Levi

«O equilíbrio que é preciso procurar não é o que produz a imobilidade, mas o que realiza o movimento. Pois a imobilidade é a morte e o movimento é a vida.
Este equilíbrio motor é o da própria natureza. A natureza, equilibrando as forças fatais, produz o mal físico ou mesmo a destruição aparente para o homem mal equilibrado. O homem liberta-se dos males da natureza, sabendo subtrair-se, por um emprego inteligente da sua liberdade, à fatalidade das forças. Empregamos aqui a palavra fatalidade, porque as forças imprevistas e incompreendidas pelo homem mal equilibrado lhe parecem necessariamente fatais.
A natureza proveu à conversação dos animais dotados de instinto, porém dispôs tudo para que o homem imprevidente pereça.
Os animais vivem, por assim dizer, por si mesmos e sem esforços. Só o homem deve aprender a viver. Ora, a ciência da vida é a ciência do equilíbrio moral.
Conciliar o saber e a religião, a razão e o sentimento, a energia e a brandura, eis o fundo deste equilíbrio.»

Eliphas Levi
in "Grande Arcano"
«Credo quia absurdum non credere»

Eliphas Levi
«A verdade é tal forma inseparável do bem que toda a má acção livremente consentida e realizada sem que a consciência proteste, apaga a luz da nossa alma e nos lança nas trevas exteriores.»


Eliphas Levi
«O único decreto do Karma - decreto eterno e imutável - é a Harmonia completa no Mundo da Matéria, como o é no Mundo do Espírito. Portanto, não é o Karma que nos pune ou recompensa, porém somos nós mesmos que nos recompensamos ou punimos, segundo trabalhemos com a Natureza, pela Natureza e de acordo com a Natureza, obedecendo ou transgredindo às leis, de que depende essa Harmonia.»


H. P. Blavatsky
in "Doutrina Secreta"